domingo, 15 de maio de 2011

Relatório da aula de 29/04/2011

Carlos Alberto Ramos
Janaina Grassiote Souza de Oliveira
Marcela Mendonça Ferreira
Tatiane Cristina Garcia de Oliveira

         O professor iniciou a aula incentivando os acadêmicos a serem ativos e participativos. A aula foi proposta a fim de desenvolver a autonomia e a criticidade do aluno e enfatizou a importância do ler por prazer, de parar e desfrutar da leitura.
         Os conteúdos trabalhados no dia foram: As Teorias Crítico-Reprodutivistas segundo a abordagem de Dermeval Saviani e Sobre a Natureza e Especificidade da Educação, do mesmo autor.
         Inicia-se estudando o sentido da marginalidade na relação entre escola e a sociedade. Crê-se ingenuamente que, resolvendo a marginalidade através da educação, automaticamente resolve a marginalidade social.
         Saviani explica a teoria crítica-reprodutivista fazendo uma comparação com a teoria não-crítica. Aprendemos por contrastes. Só se conhece algo, comparando com outra coisa, ou seja, pensa-se no conceito de algo que não é, em seguida descobrirá o significado do próprio conceito.
         Para a pedagogia Tradicional, a solução para a marginalidade vem da escola. Nela o marginalizado é ignorante. Já na Escola Nova é o rejeitado, o anormal. Na pedagogia Tecnicista, é o que não tem acesso à tecnologia. Ambas têm algo em comum: São teorias não-críticas.
         A tentativa de explicar, reformular e criticar as teorias pedagógicas, na intenção de criar outras teorias com base no contexto que se está inserido, é denominada Metateoria pedagógica. A ligação entre teoria e prática é a práxis. As teorias e as práticas tentam se definir, causando assim a reflexão. 
         A definição da problemática do surgimento das teorias está estreitamente ligada à prática pedagógica. Acontece da seguinte forma: Educação (contexto social)=> Teoria pedagógica (Práxis)=> Metateorias pedagógicas.
         No texto, o autor cita Althusser, que entende que a sociedade está dividida em classes, e que há uma luta de classes na sociedade. A sociedade não se mantém organizada por vontade própria, mas devido aos aparelhos de repressão, a escola, a polícia, a religião etc.
         Para Marx os interesses das pessoas se agrupam de acordo com o interesse de cada classe.
         Quanto à teoria de ensino enquanto violência simbólica, ela enfatiza que a escola inculca nos alunos os princípios da classe dominante, agravando a marginalidade.
         Na Escola Dualista, a sociedade está dividida em dois grupos, um que representa a elite, e o outro que representa o proletariado. Esse conflito de interesse se reproduz dentro da própria escola, ou seja, concebe que há uma luta de classes, a escola só adota a teoria que vence.
         Passamos a discutir o texto ‘Natureza e Especificidade da Educação, também de autoria de Saviani.
         Entender a educação dependerá da visão que se tem do ser humano (Antropologia).
           O homem produz a própria existência, transforma o mundo. A diferença entre o homem e o animal é o trabalho direcionado, intencional, com um fim específico.
         Exemplificando isto, o professor relata o que diz Heidegger: A pedra é indiferente ao mundo, o animal é dependente do mundo, o homem é criador do mundo.
         Há dois mundos, primeiro a natureza que nos é dada, acontece sem a interferência de ninguém, a regra é a necessidade; Segundo é a cultura, o resultado da natureza que nos foi dada, algo com um simbolismo, significado. A vontade das pessoas é o que impera na cultura.
         Ao pensar no trabalho, podemos distinguir duas maneiras: A primeira, o trabalho material que necessita de uma força manual, que tem a finalidade a construção de bens materiais; A segunda é o trabalho não material, que é a produção do saber, não necessita de força física, mas é igualmente valoroso.
         O professor concluiu a aula explicando a diferença entre ensino e educação. No ensino, há transmissão de conhecimentos, enquanto que a educação proporciona formação do sujeito, para que desenvolva um papel ativo na sociedade.
REFERÊNCIA
SAVIANI, D. Pedagogia histórico-crítica. 2. ed. Cortez: São Paulo, 1991.

Relatório da aula do dia 28/04/2011

Andreia de S.G. Bezerra.
                          Gilda Aparecida Rodrigues
                           Natalia Antunes


O professor iniciou a aula com a entrega das avaliações e em seguida a revisão da prova, tirando as dúvidas referentes ao conteúdo aplicado na avaliação.
Em continuação à aula, retornou a leitura do texto de Dermeval Saviani, o qual traz como título “As teorias da educação e o problema da Marginalidade”. As teorias da educação são classificadas em dois grupos: Teorias críticas e teorias não-críticas. Neste último grupo, estão a pedagogia tradicional, a pedagogia nova e a pedagogia tecnicista, que foram discutidas em aula.
Saviani afirma que o sistema nacional de ensino surgiu no século passado, para, através da escola, transformar os súditos (indivíduos que obedecem cegamente ao seu governante) em cidadãos (indivíduo livres, com direitos e deveres constituído pela lei).
A escola tradicional surge na tentativa de transformar uma sociedade monárquica em capitalista através do conhecimento. A escola tradicional também tem uma visão simplista sobre sociedade. É uma escola homogênea, que exclui as diferenças. A causa da marginalidade é identificada com a ignorância. Ela queria acabar com marginalidade, mas não teve uma resposta positiva, porque não houve uma equalização social. Para a escola tradicional, com rigor, disciplina e ordem é que se aprende. Portanto, a pedagogia tradicional dá uma resposta pronta ao aluno para desenvolver conhecimento.
A pedagogia nova critica a pedagogia tradicional. A pedagogia nova é importante, porque passa a notar os anormais não como algo negativo e sim como diferença, cada indivíduo é único. As diferenças no domínio cognitivo não devem ser um fator diferencial. Cada um é diferente através da sua vivência. A questão não é ensinar, mas aprender a aprender.
A pedagogia nova procura trazer um pouco de conhecimento social para dentro da escola. O professor orienta e estimula o aluno a buscar mais conhecimento. A pedagogia nova está centrada na espontaneidade, aceitando as sugestões dos alunos, passa a vê-los como um ser sensível e não como um ser oprimido.
Nessas discussões, é importante distinguir o ensino formal e informal. O ensino metódico se dá em um ambiente formal como a escola, onde há um projeto de como vai ser o ensino. Já o ensino informal se dá como conhecimento espontâneo, na rua, em casa, na televisão etc.
Saviani fala ainda sobre a pedagogia tecnicista, que é ensinar o aluno a usar ferramentas tecnológicas de acordo com o planejamento, usando a tecnologia como meio de ensino, como por exemplo, ensinar o aluno através do computador. O texto enfatiza que antes o trabalho se adaptava ao trabalhador, agora com a tecnologia o trabalhador deve se adaptar ao processo de trabalho.
O autor até aqui deixa claro seu olhar sobre essas pedagogias: a tradicional tem o professor como centro, só ele é o sabedor de conhecimento, a  nova via o aluno com o papel principal na educação, e a tecnicista é a organização racional dos meios, ocupando o professor e o aluno em posição secundária.
E para finalizar a aula, o professor relembrou sobre:
Engenharia Comportamental: que é a ideia de manipular o comportamento através dos recursos da psicologia como cores, tamanho de sala de aula, etc.
Ergonomia: normas para o trabalho, menos espontânea e mais tecnológica.
Positivismo: é a teoria que não critica, mas simplesmente se não funciona não vale.
Funcionalismo: só tem valor quando funciona, se não funciona não vale nada.
Tecnicismo: a educação é voltada para a profissionalização em lidar com coisas não com a formação humana.

Relatório da aula do dia 07/04/2011


Crislaine Fischer Tomazi
                          Carolina R. Souza
                          Scheila Cristina Vidal
                          Maria Joana T. Toledo


Nas aulas do dia 07, começamos a estudar o texto Escola e Democracia de Dermeval Saviani, onde o autor faz abordagens de teorias pedagógicas e fala das teorias tradicionais e críticas. Mas, para entender as abordagens de Saviani, é preciso primeiramente compreender o autor Karl Marx em seu livro Manuscritos Econômico - Filosóficos, no qual ele expõe o conceito de trabalho alienado.
            Passou-se então a discutir o que é alienação, chegando à conclusão de que alienação tem como radical alien (outro), de onde vem a palavra alheio (de outro). Ou seja, alienação é quando a consciência de uma pessoa é substituída por uma consciência alheia. Mas não se trata de uma pessoa dominando a outra. Para Marx, é uma mentalidade que é instaurada a partir das regras do sistema produtivo. Quando se pensa a partir de outro, não é possível se compreender, pois se está pensando através de um referencial que não é próprio.
            Marx busca também achar razões concretas, ou seja, econômicas e sociais, do porquê o indivíduo pensa pela cabeça dos outros, levantando assim duas possibilidades.
            1º. Visão Idealista – focada somente na questão mental do indivíduo.
            2º Visão Materialista – o indivíduo só pensa a partir do mundo que pisa, de algo concreto. Enquanto a visão idealista diz que o indivíduo é somente desinformado, a materialista dirá que ele é desinformado porque a classe social que tem e a vida que leva o expõem a isso.
            Mas, no mundo material, algo que leva o indivíduo à alienação, para Marx, é o trabalho alienado. Para melhor compreensão desse tema, foi lido pelo professor um pequeno trecho do livro de Marx, já citado acima, o qual afirma: “A penúria do trabalhador aumenta com o poder e o volume da sua produção”, ou seja, quanto mais o indivíduo trabalha, mais a capitalista ganha e mais independente desse trabalho ele fica.
            Marx ainda dividiu o trabalho alienado em quatro aspectos:
            1º Do trabalhador em relação ao objeto produzido: o objeto que o trabalhador produz se opõe a ele como um ser estranho, como um poder independente do trabalhador.
            2º Do trabalhador em relação ao trabalho: O trabalhador não consegue ver a produção como uma atividade sua. Marx afirma que a realização do trabalho aparece na esfera da economia política como a desrealização do trabalhador, ele não reconhece o próprio trabalho.
            3º Do trabalhador em relação à humanidade: O trabalhador se torna desumano no sentido de não reconhecer o que é humano, se sente como uma máquina e vê os outros da mesma forma.
            4º Do trabalhador em relação ao semelhante: ele não reconhece as necessidades de seus semelhantes, das pessoas próximas a ele.
            O trabalhador, para Marx, deve então superar o trabalho alienado para recuperar a verdadeira objetivação que é a realização do ser humano, e isso só é possível com a eliminação da propriedade privada.
            Após definir o que é alienação e trabalho alienado para Marx, passamos então à leitura do texto de Dermeval Saviani, onde o autor trata da marginalização em relação à exclusão social, dizendo assim que a escola causa a marginalidade, não intencionalmente.
            Saviani destaca ainda a teoria não–crítica da educação a qual encara a educação como independente da sociedade, buscando compreender a educação a partir de si mesma. Saviani irá melhor abordar sua teorias no decorrer do capítulo, sendo estas discutidas e relatadas nas próximas aulas.


REFERÊNCIAS:

SAVIANI, D. Escola e Democracia: Teorias da Educação, curvatura da vara e Onze teses sobre educação e política. 22. ed. São Paulo: Cortez, 1989.

MARX, K. Manuscritos Econômicos e Filosóficos. São Paulo: Editora Martin Claret, 2005.

Relatório da aula do dia 03/03/2011

Hélida da Silva Hidalgo 
Livanete  de Oliveira Lopes Moura
Silvânia Francieli Maciel Barbosa Fernandes
Vanessa Leite da Silva

Iniciamos a aula com o texto “Pequena Introdução à Filosofia da Educação: A Escola Progressiva ou a Transformação da Escola” de Anísio Teixeira. Dentro do contexto do texto, falamos sobre monarquia, república e principalmente democracia, que é a terceira grande tendência do mundo contemporâneo. Em seguida falamos sobre os Fundamentos psicológicos da transformação escolar e sobre o que significava o ‘aprender’ para a escola tradicional.
A monarquia é dirigida pelo Rei, em que o mesmo tem poder absoluto sobre tudo, inclusive poder sobre as pessoas. Elas não têm liberdade de se expressarem.
República é a idéia de que cada pessoa tem seus direitos. Dentro desse assunto, vale ressaltar o direito intrínseco, que é o direito que o indivíduo tem independente de qualquer coisa.
Na palavra democracia, demo (demos) significa povo, e cracia (kratos) significa poder. A democracia não é somente o direito de voto que temos, uma característica básica, é saber se expressar, e saber aceitar a expressão dos outros, pois cada um tem pensamentos e opiniões diferentes. Democracia é mais que isso, é o modo de vida. Não percebemos, mas em todo momento ela está presente nas nossas vidas.
As pessoas têm que aprender a democracia na prática. Se a escola prepara os alunos para uma sociedade democrática, primeiramente precisa existir a democracia dentro do ambiente escolar. Os professores precisam incentivar seus alunos a exercerem a democracia.
A idéia de democracia foi usada em uma escola de Campinas, onde foi feito uma assembléia escolar com alunos e professores. Com os alunos colocaram em caixas no fundo das salas de aula sugestões, protestos contra problemas existentes e felicitações pelas coisas boas. Era escolhido pela assembleia um professor para ler cada uma das sugestões. Os professores e a escola tentavam resolver os problemas identificados pelos alunos. As assembleias têm como objetivo, tentar amenizar os problemas envolvidos no contexto escolar.
No texto “Fundamentos Psicológicos da transformação Escolar”, falamos um pouco sobre a escola tradicional. A diretriz metodológica da escola tradicional era decorar, compreender, repetir.
Mas só aprendemos quando conseguimos modificar nosso modo de agir a partir daquela ideia. Não deveríamos apenas aprender conhecimentos científicos, mas aprender também a socialização, a se comunicar.  A escola deve preparar seus alunos a lidarem com as diferentes situações da vida.
Todo espaço da escola ensina. Muito da formação moral de cada um se dá não somente em sala de aula, mas em todos os espaços escolares. O intervalo de aulas, por exemplo, pode ser um aprendizado, não em relação a conteúdos, mas a valores morais.
A escola tradicional não tinha intenção de saber por que os alunos aprendem mais ou aprendem menos. Os professores não se preocupavam em como os alunos aprendem, se preocupavam apenas com as regras de ensinar e nada mais.
Aprendemos mais aquilo que nos dá mais prazer, satisfação. Esse aprendizado é integrado, ou seja, não aprendemos uma única coisa de cada vez, mas várias coisas ao mesmo tempo. Como, por exemplo, quando aprendemos a escrever, estamos aprendendo como mover a mão, como usar as folhas do caderno, enfim, várias coisas.
E hoje, vivendo em uma sociedade que está em constante mudança. A psicologia não se preocupa apenas com as regras, como era na escola tradicional. Mas, acima de tudo, se preocupa em como ensinar da melhor forma que os alunos irão aprender.

REFERÊNCIAS

TEIXEIRA, Anísio. Pequena Introdução à Filosofia da Educação: Escola Progressiva ou a transformação da Escola. 6. ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2000. Cap. II.




terça-feira, 29 de março de 2011

Relatório da aula do dia 17/03/2011

Teoria Freire versus Teoria Teixeira

Debora Anny de Castro Boot
Claudilene TorresSobrinho
Mônica Silva de Souza
Patrícia Freitas

Primeiramente é importante observarmos que tanto Freire quanto Teixeira, são críticos à abordagem tradicional, que é baseada apenas na repetição, com finalidade de memorização por parte dos alunos (colocada por Freire como método bancário). Esses dois grandes autores defendem a ideia da Escola Progressiva, manifestando apenas algumas particularidades, dentro de cada proposta por eles apresentadas, a qual analisaremos a seguir.
A proposta apresentada por Anísio Teixeira acerca da educação esteve intimamente ligada ao capitalismo e ao industrialismo, mas não apenas isso. Ele nos dirá que esse desenvolvimento no meio industrial gerou na sociedade muitos benefícios, pois a sociedade, antes destes progressos tecnológicos, era carregada de valores culturais e religiosos muito fortes, e ainda pelo fato desta sociedade ser mais rural, com isso menos desenvolvida e expandida.
Essa passagem de uma sociedade simples a uma mais complexa, ou seja, de áreas rurais a centros urbanos industrializados, trouxe principalmente grandes evoluções na área educacional, contribuindo para que a mesma saísse de seu estado tradicional em vista de uma educação diferenciada, não apenas na parte teórica, mas uma educação mais prática.
Em contrapartida, Freire dirá que o capitalismo gerou muitas desigualdades sociais, principalmente no meio educacional. O mesmo vai tratar acerca da evasão escolar dentro da classe social mais pobre, e ainda defenderá que, se este individuo não aprendeu, foi devido ao meio em que vive, ou seja, esse meio não lhe ofereceu  bases para que ele desenvolva sua capacidade intelectual e social.
É importante frisarmos ainda que, tanto Freire quanto Teixeira, criticam a escola tradicional, devido a mesma não preparar o individuo para ser autônomo. Sendo assim, defendem que a escola deve preparar o cidadão, incorporar no mesmo um sentimento de autonomia. Mas cabe ressaltar que essa autonomia vai ser ambígua, pois Teixeira a verá como uma solução para se acompanhar o desenvolvimento da sociedade e até mesmo para a transformação desta. Já Freire proporá que essa autonomia dar-se-á a partir da desalienação do indivíduo pela práxis.
Como o olhar de Freire ressalta mais as classes oprimidas, ele indaga que essa desalienação acontecerá no âmbito da superação, ou seja, o indivíduo supera todo um trauma vivido por ele na sociedade, um problema de opressão e desigualdade, cabendo à escola o ensino da práxis, e somente a escola progressista tem esse sentido desencantador.
Anísio Teixeira irá defender um contexto neutro, ou seja, para ele, independentemente se a criança é rica ou pobre, aprende da mesma forma, e o que se deve fazer é partir do imaginário da criança. Já Freire dirá que, se a criança vive em um mundo de marginalidade, ela deve ser libertada deste e deve-se tentar transformar este contexto de exclusão através da reflexão.
Paulo Freire defende que o ser humano é inconcluso e inacabado. Sendo assim, ele tem a capacidade de se superar. Essa superação dar-se-á na exclusão da opressão através do amadurecimento das ideias. Ele vai mais adiante, ressaltando ainda que o problema da educação é não promover a relação social e a reflexão. Assim, o indivíduo aliena-se ao pensar que o seu lugar na sociedade será sempre o mesmo, e não haverá como ocorrer qualquer mudança.
Neste texto, Freire revela-se tanto preocupado com os problemas sociais quanto políticos. Cabe ainda ressaltar que o mesmo tem uma posição existencialista e marxista, e apoia também o pensamento de Weber acerca da racionalização. Tanto Weber quanto Freire dirão que a educação deve ser mais humanizadora e menos racional.
Ele defende ainda que o verdadeiro educador é aquele que ensina com o seu exemplo, que se abre para aprender por meio do diálogo com os alunos. Este diálogo proporcionará o pensamento reflexivo, que será o pensar certo segundo Freire; pois, quando se reflete acerca do que é certo, coloca-se em dúvida este pensamento. Então, duvidar é pensar certo. E pensar errado é pensar que se está certo.
Freire, neste contexto, estabelece dois tipos de curiosidades, a curiosidade ingênua ou superficial e a curiosidade epistemológica. A curiosidade superficial se limita a respostas de conhecimentos populares, e a epistemológica (crítica) vai mais fundo. Esta se sacia apenas através da educação, da prática da reflexão e do conhecimento buscado a fundo. Por este motivo, não existe ensino sem pesquisa, e nem pesquisa sem ensino.
Sendo assim, Freire frisa que, de acordo com sua postura política, faz-se necessário que se utilize na educação a prática progressivo-reflexiva. Pois, sem essa prática, o discurso para formar o cidadão torna-se vazio, um conhecimento sem valores. Para a construção do conhecimento, devem-se criar possibilidades pelo professor, ou seja, estudos de métodos, entre outros.
É importantíssimo relatar ainda que Freire propõe a idéia do falso sujeito. Para ele o falso sujeito é aquele que recebe conteúdos acumulativos, que são memorizados pelo professor, e que este passa ao aluno que também irá memorizar e então se tornará uma réplica de seu educador. Ele ainda sugere que para que isso não aconteça, é necessário o uso da experiência, da interação entre objeto e aluno e ainda pensamento crítico-reflexivo.
Freire indaga ainda que ensinar exige respeito de ambas as partes educacionais, respeitar pensamentos e opiniões. Frisa também a questão da criticidade, que a mesma leva o cidadão a sair do senso comum. Isso não implica numa mudança radical de pensamento, mas apenas a superá-lo no sentido de se amadurecer as ideias. Mais ainda, para se ensinar exige-se a renovação constante.
Nessa análise do contexto educacional, realizada por Paulo Freire e Anísio Teixeira, foram comparados a contextos sociais, econômicos e políticos presentes na sociedade à qual a escola está envolvida.

Referências

FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: Saberes necessários à prática educativa. 28. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

TEIXEIRA, A. Pequena introdução à Filosofia da Educação: A escola progressiva ou a transformação da escola. 6. ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2000.

terça-feira, 22 de março de 2011

Relatório da aula do dia 10/03/2011

Flaviana Faustino
Luciano Camargo

Nas aulas do dia 10 de março de 2011, começamos a conhecer um dos grandes filósofos da educação, Paulo Reglus Neves Freire, com o livro “Pedagogia da Autonomia”, que foi a sua última obra publicada em vida. Apresenta propostas de práticas pedagógicas necessárias à educação como forma de construir a autonomia dos educandos, valorizando e respeitando sua cultura e acervo de conhecimentos empíricos. Quando o autor defende a autonomia do educando, está pensando em uma escola em que o aluno deixe de ser mero instrumento passivo do ato de aprender e passe a agir como sujeito ativo e crítico no ato da aprendizagem. Antigamente, a sociedade educava a criança para que seus pais fossem seu espelho, ou seja, para seguirem as mesmas profissões deles. Assim, o filho de agricultor teria de ser agricultor também.
Esta obra gira em torno da prática educativo-progressiva, em favor da autonomia dos educandos. Quando o autor fala da educação progressiva, ele está-se referindo à “escola nova”. Porém, não apenas à escola nova idealizada por Anísio Teixeira, mas em uma escola  onde todos teriam acesso e oportunidade de crescer, uma escola voltada para “os esfarrapados do mundo”. Assim, Freire se preocupou com os mais pobres, até porque tinha uma visão marxista, mais preocupada com as causas sociais.
A prática educativa não se restringe apenas aos saberes necessários à matriz curricular, exige muito mais do educador. É essencial que tenha conhecimento para levar autonomia aos educandos, e é preciso que saiba a diferença entre treinar e formar. Treinar é simplesmente adestrar para que repita ao “pé da letra” o que aprendeu, sem espírito questionador, sem senso crítico; é o contrário de formar, que exige muito mais cautela e esforço intelectual. No ato de formar, o educador obstina levar o educando a outro patamar, que o faça crescer pessoal e intelectualmente, que seja questionador e crítico.
Ainda nessas aulas, tivemos a oportunidade de comentar sobre o Liberalismo de John Locke, que parte do princípio de que o homem nasce livre, têm as propriedades dos bens que extrai da natureza ou adquire por via do seu mérito. Locke defende a ideia de liberalismo justamente na época em que o estado era totalitário, ou seja, o estado manda em tudo que diz respeito a sua vida. E, no meio dessa política, Locke pregava os direitos naturais individuais humanos, direito a bens, propriedade privada, à vida e à liberdade. Discutimos também o fatalismo neoliberal, que traz a ideia de que você é culpado pela sua condição de vida, que você nasceu para ser assim e tudo que acontece já está predestinado a acontecer pela própria lógica da competição de mercado. Freire critica permanentemente a malvadez neoliberal, a ideologia fatalista e a recusa inflexível ao sonho e à utopia. Ele mostra a sua indignação e a sua raiva quanto às injustiças a que as pessoas são submetidas. O ser humano se tornou a presença do mundo e, quando ele reconhecer no outro a si próprio, aí sim a ética universal será plena. Para finalizar, “educar não é um ato de repetir ideias, mas de criar e recriá-las,” como disse Paulo Freire.

Referências

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996. 

terça-feira, 15 de março de 2011

Relatório da aula do dia 22/02/2011

Eliana P. Mota
Liliane P. Sousa


Iniciou-se a aula com a reflexão sobre a tese VI do texto, Para que filosofia da educação?
No início da tese, discutimos sobre a postura refletida no agir educacional. Ela não tem o papel de julgar, mas de fazer críticas construtivas e não somente de fazer a crítica pela crítica. A crítica implica na ampliação do conhecimento, fazendo com que o educador reflita, para que possa fortalecer-se mais em sua concepção. Além disso, quem crítica também precisa ser criticado.
A postura refletida da filosofia contribuiu para uma reflexão. Assim é possível estudar cada teoria, a partir do seu interior, desde sua concepção.
Existem conflitos na área educacional, pela falta de concordância de ideias, fazendo com que os profissionais busquem outras ciências para estabelecer superioridade em relação à visão do outro. Esses conflitos fazem com que, para cada paradigma defendido, seja preciso explicar-se, para assim adquirir conhecimento.
Na tese seguinte, estudamos sobre a ideologia, que é a concepção de uma ideia que o indivíduo segue mesmo não pertencendo ao seu padrão de vida. Foi dado o exemplo de um menino pobre da favela: mesmo sobrevivendo com uma renda muito baixa, ele quer ter um tênis de R$ 300,00. Isso não ajudaria a melhorar sua vida, assim não é o melhor para ele, mas em sua concepção é algo importante.
A filosofia nos mostra que temos que ter a capacidade de compreender quando nossa visão é diferente da do outro. Sendo assim, as ideias propostas pelo nosso paradigma muitas vezes não farão sentido em paradigmas diferentes. Por isso, devemos compreender que, entre os paradigmas, deve haver uma compreensão, possibilitando assim alguma forma de cooperação.
Portanto, a desresponsabilização é causada por uma escolha irracional, que não demonstra uma preocupação com as questões inerentes ao ato de educar. Por isso, devemos pensar melhor sobre o nosso agir, fazendo o uso de uma postura refletida em todos os momentos.

Referências

FLICKINGER, H.-G. Para que Filosofia da Educação? - 11 teses. Perspectiva, Florianópolis, v. 16, n. 29, jan./jul 1998. p.15-22.

sexta-feira, 11 de março de 2011

DW-WORLD.DE: Ministro alemão renuncia após acusações de plágio em sua tese de doutorado

ALEMANHA | 01.03.2011

Ministro alemão renuncia após acusações de plágio em sua tese de doutorado

Karl-Theodor zu Guttenberg cede à pressão e renuncia a todos os postos políticos. Ministro acusado de plágio em sua tese de doutorado admite ter cometido "erros" em seu trabalho científico.

O ministro alemão da Defesa, Karl-Theodor zu Guttenberg, anunciou nesta terça-feira (01/03) sua renúncia a todos os cargos políticos que ocupava. "Foi o passo mais doloroso da minha vida", disse em Berlim o político da União Social Cristã (CSU), partido que faz parte da coalizão que sustenta o governo da premiê Angela Merkel.
Com a renúncia, Guttenberg rende-se, após semanas, frente às acusações de plágio em sua tese de doutorado. Ainda na segunda-feira, 25 mil doutorandos protestaram, através de uma carta aberta entregue a Merkel, contra o fato de Guttenberg ter sido mantido no cargo, apesar das acusações de plágio.
O ministro havia enviado uma carta à premiê, informando-a sobre sua intenção de renunciar. Na manhã desta terça-feira, a chefe de governo interrompeu sua visita à feira CeBIT para ter uma longa conversa telefônica com Guttenberg.
Apesar das fortes críticas da oposição e de amplos setores da sociedade alemã, Merkel havia mantido seu apoio ao ministro. Na segunda-feira, ela havia reiterado, através de seu porta-voz, que a tarefa de Guttenberg no governo era a "de ministro e não a de cientista".
Título cassado
Também nas fileiras da CDU (União Democrata Cristã), facção próxima à CSU, começaram a surgir críticas nesta semana, como a do presidente da câmara baixa do Parlamento (Bundestag), Norbert Lammert, ou da ministra da Educação e Pesquisa, Annette Schavan, que afirmou ao jornal Süddeutsche Zeitung envergonhar-se do comportamento do ministro.  
Na última semana, a Universidade de Bayreuth cassou o título de doutor em Direito, que havia outorgado a Guttenberg com a qualificação máxima. A universidade está investigando se a cópia de citações sem a especificação de seus autores aconteceu de forma premeditada.
Pouco antes, o próprio Guttenberg havia solicitado o cancelamento do título, ao admitir a inclusão de textos de outros autores, sem menção das fontes.
Segundo a imprensa alemã, pelo menos dois terços da tese do político de 39 anos eram copiados de textos alheios, ainda que ele insista ter se tratado de "erros" e não de plágio.
Guttenberg havia assumido o posto no final de 2009, sucedendo a Franz Josef Jung como titular da pasta da Defesa. Este havia renunciado após fortes críticas à política de informação das Forças Armadas alemãs em relação ao bombardeio de dois caminhões-tanque no Afeganistão,  que causaram mortes entre a população civil. Até então, Guttenberg havia ocupado o posto de ministro da Economia.
RR/RW/kna/dpa
Revisão: Soraia Vilela

Relatório da aula do dia 02/03/2011

Pâmela Cristina da Silva Pedra
                           Ivo Maia Lima Pantouja
                           Valéria Sousa


Nesta aula, tratou-se do tema Fundamentos Sociais da Transformação escolar de Anísio Teixeira, discutido por ele na obra Pequena introdução à Filosofia da Educação. A aula iniciou com a indagação de um acadêmico sobre a relação entre Positivismo e Pragmatismo. O Positivismo não vê o vínculo entre Escola e Sociedade, e está na base da Escola Tradicional, porém com algumas adequações.
O Pragmatismo também não vê o vínculo entre Escola e Sociedade. É um pensamento acrítico. A diferença é que o pragmatismo ressalta uma postura mais ativa do aluno, ou seja, que o aluno não fique só na teoria e sim coloque em prática aquilo que aprende em sala de aula. Mas do que isso, para o pragmatismo o próprio aprendizado só ocorre de fato na ação.
Assim, as semelhanças entre a Escola tradicional e o Positivismo estão no fato de ambos ressaltarem a ordem e a disciplina e em não verem vínculo entre escola e sociedade. Esta última característica ambos compartilham também com o pragmatismo. Mas este se distingue de ambos por enfatizar mais o caráter ativo da aprendizagem escolar e seu papel para o progresso
Para Anísio Teixeira, a Escola tem de ser progressiva, porque a sociedade é progressiva, ou seja, muda constantemente. Seria como a indústria, que é um processo de desenvolvimento contínuo. Ela trouxe uma integração maior da sociedade através das trocas de informação e experiências, em prol do desenvolvimento, em conjunto com a ciência. Surgiram novas experiências e o aperfeiçoamento de novas técnicas.
Com base nas transformações sociais provocadas pela indústria e pelas ciências, deu-se um novo processo social, chamado de globalização. Este está trazendo uma nova realidade na sociedade, trazendo mudanças profundas no âmbito familiar, introduzindo a mulher no mercado de trabalho, e abrangendo o leque de funções dos membros da família. O que antes era tradição de família, os filhos praticando o mesmo ofício dos pais, conservando-o de geração a geração, com os novos modos de vida produzidos pela modernidade, foram afastados todos os tipos tradicionais da ordem social.
Com a nova a sociedade, a família deixa de ser o lugar da formação moral e social, que agora passa ser responsabilidade da escola. Com isso, surge a necessidade de mudanças no âmbito escola. Esta é a proposta da escola progressiva: criar uma escola que não se restrinja à transmissão de conhecimentos, abordando de maneira integral o intelectual, o moral e o físico, enfatizando a relação entre educação e bem-estar social, estabilidade, progresso e capacidade de transformação.
A escola progressiva tem a função de constituir um novo homem, preparado para ser um membro responsável e inteligente desse novo sistema. Ela visa criar meios intelectuais de compreensão da liberdade, para que o indivíduo não seja absorvido pela vida moderna, reduzindo as relações sociais a uma interdependência mecânica, afastando-se do senso critico. Esse novo homem, independente e responsável, é o que a escola progressiva deve vir preparar, para viver em relação mais própria com o mundo.

Referência

TEIXEIRA, A. Pequena introdução à Filosofia da Educação: A escola progressiva ou a transformação da escola. 6. ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2000.

Relatório da aula do dia 01/03/2011

Pequena introdução à Filosofia da Educação
Escola Progressista ou a Transformação da Escola.

 Érica Pâmela P. de Souza
Elizabeth J. Prieto da Silva 
Dayana Almeida dos Santos

Nessa aula, foi lido o texto de Anísio Teixeira, da página 24 à 30. O tema central foi como a sociedade e o ambiente escolar estavam modificando-se na época em que o texto foi escrito (década de 1930).
Devido ao avanço da ciência, a sociedade estava passando por constantes mudanças, com isso foram estabelecidos novos objetivos a essa humanidade. Assim, a escola deveria acompanhar esse desenvolvimento, dando uma base para que o aluno pudesse ter uma projeção voltada para um futuro incerto.
A Escola Tradicional, por sua vez, era muito mais estável. Ela preparava seus alunos para ser aquilo que seus pais eram. Mas, a escola teve que preparar pessoas com capacidade de raciocinar mais rapidamente, diante das mudanças que vinham ocorrendo na sociedade. Isso nos mostra uma característica da nova sociedade, que, além de possuir mais bens materiais, também trouxe modificações na mentalidade das pessoas, podendo-se assim dizer que tivemos um grande progresso.
Comentou-se que, na época da Escola Tradicional, uma pessoa poderia se formar e passar o resto de sua carreira sem buscar novas informações, pois pouco se modificava. Mas, com o surgimento de uma sociedade mais progressista, as pessoas precisavam se renovar a todo instante, pois elas poderiam ficar fora do mercado de trabalho, o que nos dias de hoje não é diferente.
Foi assim citado um exemplo de um engenheiro, que, se não estudasse por 5 anos, tenderia a ficar desatualizado. Também se falou da evolução da rádio, da televisão, internet, celular entre outras tecnologias.
Sempre houve mudanças. Mas entre os Romanos e Luiz XV a mudança foi pequena em um período muito longo, já entre Luiz XV e Pedro I o tempo foi menor e as mudanças foram bem maiores.
A Escola Tradicional formava seus alunos para ficarem na sua própria cultura. Atualmente isso não ocorre, pois tudo está interligado. Na época da Escola Tradicional, as mulheres eram programadas a obedecer, agora elas estão dominando o mercado de trabalho. A ciência, por sua vez, trouxe consigo as respostas que antes eram dadas por explicações sobrenaturais.
Outra característica marcante da sociedade contemporânea é que o homem passou a ser mais crítico, cheio de porquês e muito mais centrado. A sociedade não preparava as pessoas para pensar, mas somente trabalhar. No entanto, para a Escola Progressiva o homem deveria ser mais questionador e ter mais capacidade de resolver seus problemas diante do desconhecido. As mudanças, portanto, são constantes, mas não deixam de seguir padrões.
Nas entre linhas da visão de Anísio Teixeira estão aspectos do positivismo, que tinha como lema “Ordem e Progresso”. Teixeira dá mais ênfase ao Progresso. Augusto Conte, um dos fundadores do positivismo, dizia que a humanidade passava por uma evolução. Assim, fez um esquema do progresso da humanidade:
1-      Estágio teológico: Corresponde ao pensamento antigo e medieval.
- Feiticismo: algo relacionado ao sobrenatural;
- Politeísmo: há existência de muitos deuses;
- Monoteísmo: um único Deus.
2-      Estágio metafísico (filosófico): Corresponde ao pensamento moderna, principalmente o iluminismo. Caracteriza-se pela existência de ideais abstratos, pouco vinculados ao real.
3-      Estágio científico (baseado no método experimental): Corresponde ao pensamento contemporâneo, baseado na ciência que se desenvolve a partir do século XVII. Caracteriza-se por um pensamento concreto e crítico.
As escolas tradicionais são consideradas positivistas devido à característica de ordem. Teixeira falava sobre a Escola Tradicional nos anos 30.
O Feiticismo surgiu em razão do medo que as pessoas tinham da natureza. Quando a ciência passou a explicar os fenômenos, surgiu um homem otimista. Portanto, a natureza era um desafio ao homem na época da Escola Tradicional, mas a ciência moderna tornou-se a chave para domina-la.

Referência
TEIXEIRA, Anísio. Pequena Introdução à Filosofia da Educação-Escola Progressista ou a Transformação da Escola. Rio de Janeiro: DP&A, 6. ed. Cap.II, p.23 a 54.